Nem tudo é trauma.
Às vezes é só consequência. E você vai ter que lidar com ela.
Virou moda dar nome bonito para tudo. Você foi mal na prova, é ansiedade. Não terminou nada que começou, é o seu emocional. Tratou mal alguém e a pessoa sumiu, é padrão de relacionamento. Sempre tem um diagnóstico pronto para tirar o peso do seu colo.
Existe trauma real, e disso eu não brinco. Tem dor que marca fundo, que precisa de cuidado, de tempo, às vezes de ajuda de verdade. Isso é sério e merece respeito.
Mas não é disso que eu estou falando.
Estou falando de quando você pega uma palavra séria e usa como escudo. Quando transforma cada consequência das suas escolhas num trauma para não ter que encarar que, simplesmente, você errou.
Você dormiu em vez de estudar. Não é bloqueio. É que você dormiu.
Você deixou a pessoa falando sozinha por meses. Ela cansou. Não é abandono. É resposta.
Você adiou, fugiu, deixou pra depois. E o depois chegou com a conta. Não é o universo conspirando. É matemática.
Escolha gera consequência. Sempre. Não tem terapia, cristal nem frase de efeito que quebre essa regra.
E olha, aceitar isso não é se culpar. É o contrário. É poder.
Porque se tudo que acontece com você é trauma, você é uma vítima permanente, refém de um passado que você não controla. Mas se boa parte é consequência das suas escolhas, então você tem o volante na mão. O que você fez, você pode fazer diferente amanhã.
Vítima espera o mundo mudar. Adulto muda a própria mão.
Então para de terceirizar a culpa para a sua infância, para o seu signo, para o seu ex, para o seu diagnóstico. Guarda esses nomes para quando eles forem verdade.
No resto, respira, encara e assume: foi você.
E que bom que foi. Porque o que depende de você, só você precisa mudar.
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