A vida é uma lista infinita de regras.
Em casa, no trabalho, no trânsito, no mercado, na fila, na mesa do restaurante. Tem regra para tudo. Absolutamente tudo. Umas escritas, a maioria não.
Dizem por aí que certas pessoas nascem para quebrar regras. Que existe um tipo que é do contra de nascença. Eu rio disso, porque conheço bem: se existisse uma regra mandando quebrar todas as regras, essa gente não quebraria nenhuma, só para poder desobedecer aquela. Contra por esporte.
Mas deixa eu separar o joio do trigo, porque aqui mora a verdade que importa.
Quebrar regra não é bom nem ruim. Depende de qual regra, e depende do preço.
Tem quebrador de regra que mudou o mundo. Que olhou para o sempre foi assim e respondeu não precisa ser. A história inteira é feita dessa gente.
E tem quem quebrou por teimosia, por vaidade, por pressa, e só colecionou dor de cabeça. Bateu de frente com o que não valia a briga e saiu machucado à toa.
A diferença entre um e outro nunca foi a coragem. Foi o discernimento.
Porque existe a regra que te protege e existe a regra que só te limita. Uma te mantém inteiro. A outra te mantém pequeno. E a vida não vem com etiqueta dizendo qual é qual. Você tem que aprender a sentir a diferença.
Então a pergunta não é se você obedece ou desobedece.
É qual guerra vale a sua energia.
Você não tem fôlego para brigar com todas as regras do mundo. Ninguém tem. Quem tenta, se perde no meio de mil batalhas pequenas e não vence nenhuma. A arte é escolher. Deixar passar o que não importa para ter força no que importa de verdade.
E essa escolha é só sua. Ninguém decide por você qual linha você cruza e qual você respeita. Podem te aconselhar, te julgar, torcer o nariz. Mas quem vai viver com a consequência, no fim, é você.
Nisso, sim, você está sozinho. Não no sentido triste. No sentido de que a decisão é intransferível.
Você é o seu próprio universo. E parte de crescer é entender que ninguém vai te entregar o manual. Você vai aprendendo, tentativa por tentativa, qual guerra te constrói e qual só te consome.
Escolhe bem as suas batalhas.
São elas que vão dizer, no fim, quem você foi.
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