Eu já amei. Mais de uma vez.
Tive momentos bons, pessoas boas, histórias que valeram cada capítulo enquanto duraram. Não tenho mágoa de nenhuma delas. Tenho carinho, e tenho gratidão.
Mas em algum ponto de cada uma dessas histórias, eu senti a mesma coisa. Uma voz baixinha, teimosa, dizendo: é bom, mas não é aquilo.
E eu fui embora.
Aos meus ex, se um dia me lerem, não é culpa de vocês. Vocês foram, cada um, exatamente quem podiam ser. O que faltou não foi esforço, nem carinho, nem tentativa. Faltou aquela coisa que não se fabrica. A sintonia que não precisa de legenda. A conexão que dispensa explicação.
Eu escolhi ir embora porque eu queria mais. Não mais do que vocês. Mais para mim.
E eu sei o que dizem sobre quem faz isso. Que é exigente demais. Que é romântico de um jeito que já saiu de moda. Que devia ter ficado, se ajeitado, aprendido a gostar do suficiente.
Mas eu nunca consegui achar bonito o suficiente.
Porque eu sei ficar sozinho. A solitude não me assusta, ela me alimenta. Eu não troco de pessoa por medo de ficar comigo mesmo. É o contrário. Justamente por saber ficar só é que eu não aceito qualquer companhia. Quem não suporta a própria presença agarra a primeira que aparece. Eu não. Eu só divido quando vale a pena dividir.
E eu gosto de dividir. Gosto tanto que me recuso a desperdiçar isso com quem não alcança o que eu tenho para dar.
O que eu procuro não é perfeição. É verdade. Aquele encontro raro em que dois mundos se reconhecem, em que você não precisa se encolher nem fingir, em que estar junto é mais leve do que estar só.
Eu ainda não vivi isso. Não do jeito inteiro que eu sei que existe.
E tudo bem.
Eu prefiro esperar o extraordinário a me acostumar com o razoável. Prefiro a saudade de um amor que ainda não veio à companhia morna de um que eu sei que não é.
Não é arrogância. É fé.
Fé de que, em algum lugar, existe alguém na mesma sintonia. E de que, quando a gente se encontrar, vai valer cada adeus que eu precisei dar até aqui.
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