Existe uma frase que virou escudo: “estou sem tempo”.
E dá para entender. A vida enche. Trabalho, estudo, cansaço, a cabeça em mil lugares. Tem gente que convive com um cérebro que não desliga, e isso é real, não é invenção.
Mas tem um detalhe simples que, depois que você repara, não consegue mais ignorar.
Uma mensagem dura segundos.
Ninguém está tão ocupado a ponto de não conseguir mandar três palavras para quem de verdade ocupa espaço na cabeça. A gente sempre arruma tempo para o que importa. Todo mundo já atravessou um dia caótico e, no meio dele, parou tudo para falar com alguém que interessava.
Por isso, quando a única constante é a desculpa, a desculpa para de ser o assunto.
Porque interesse não se declara. Se demonstra.
Não no gesto grande, no discurso bonito de “eu quero algo com você”. No miúdo. Na mensagem de bom dia. No “como foi seu dia”. Na lembrança de um detalhe contado uma vez só. É ali, no pequeno e no repetido, que se vê quem está presente e quem só está de passagem.
E tem uma diferença que quase ninguém quer encarar.
Falta de tempo é circunstância. Falta de interesse é escolha. E a escolha se disfarça de circunstância o tempo todo, porque assim ninguém precisa dizer em voz alta que simplesmente não quis.
“Eu quero” que nunca vira “eu fiz” é intenção decorada. Palavra bonita que não desce para o gesto.
E ninguém se sente seguro construindo em cima disso. Fica no ar, esperando uma prova que não chega, inventando para o silêncio do outro uma explicação que o outro nem se deu ao trabalho de dar.
Serve para o amor. Serve para a amizade. Serve para qualquer vínculo. Reparar cedo é quase uma gentileza que você faz consigo mesmo.
Quem quer, aparece. Quem não aparece, já respondeu.
Deixe um comentário