Tem quem viaje pra se encontrar. Eu viajo pra me confirmar.
Não saí do Brasil atrás de respostas. Saí sabendo quem eu sou. Ibiza, Itália, o próximo destino, nada disso veio pra me revelar. Veio pra reforçar.
Foi olhando o mar de Ibiza que me firmei em mim.
O mar faz isso. Ele assusta. Mas liberta. Você encara aquela imensidão e sente o teu tamanho. E em vez de encolher, se planta. Porque diante de algo tão grande, ou você se perde, ou você se afirma. Eu me afirmei.
O mundo é imenso. Imenso demais pra caber em quem vive com medo de ocupar o próprio espaço. Foi vendo essa vastidão que eu entendi, mais uma vez, que não vim aqui pra pedir licença. Vim pra existir com força.
Sou autossuficiente. Sempre fui. Sei andar sozinho, decidir sozinho, bastar a mim mesmo. O mar só me devolveu isso em tamanho gigante.
E no meio dessa força, algo me atravessa: gratidão.
Porque nem todo mundo pisa em outro continente. Nem todo mundo vê esse mar, sente esse vento, atravessa esse mapa. Eu vejo. Eu piso. Eu atravesso. E não trato isso como pouco. Trato como privilégio, desses que a vida não entrega a qualquer um, nem a toda hora.
Sou grato por cada voo. Por cada praia. Por cada manhã longe de casa em que acordo e lembro do tamanho da minha sorte.
O mar me firmou. A viagem me reafirmou. A gratidão me manteve de pé.
Quem sabe quem é não teme a imensidão. Faz dela casa.
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