Existe uma decência que quase ninguém comenta: a de saber o seu lugar.
Não o lugar que te diminui. O lugar que te cabe.
Tem gente que, quando percebe que não é bem-vinda, insiste. Empurra. Força presença onde já foi dito não, seja com todas as letras, seja com o silêncio.
E tem gente que simplesmente se retira.
Sem escândalo. Sem cena. Sem transformar a própria falta de espaço em ataque.
É desse segundo tipo que eu falo. É esse que eu admiro.
Porque respeitar o espaço do outro é uma forma silenciosa de grandeza. É entender que nem toda porta fechada é um convite para arrombar. Que o não de alguém não precisa de justificativa para ser respeitado.
Quem tem essa decência sabe se colocar. Sabe a hora de chegar e, o que é mais raro, a hora de sair.
E eu aprendi, com o tempo, que a mesma decência vale para mim quando sou eu quem precisa cortar.
Nem toda saída precisa de explicação. Nem todo corte precisa de satisfação.
Algumas pessoas a gente afasta em silêncio, fecha a porta devagar e segue em frente. Não por raiva. Por respeito. Ao outro, e principalmente a si.
Porque insistir onde não há verdade é desrespeitar os dois lados.
Sair na hora certa, sem alarde, também é dizer uma frase inteira sem abrir a boca: eu me respeito o bastante para não brigar por um lugar que não é meu, e te respeito o bastante para não invadir o que é seu.
A elegância, no fim, não está em vencer a discussão.
Está em não precisar dela.
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