AURORA in Running With the Wolves.
A tradução parece simples.
(Correndo com os lobos.)
Mas talvez nenhuma metáfora sobre liberdade seja tão honesta quanto essa.
Porque ninguém corre ao lado de lobos esperando encontrar um bando de gatinhos “miósos”.
Toda liberdade tem dentes e garras afiadas.
Talvez seja esse o detalhe que esquecemos.
Fomos ensinados a acreditar que a felicidade sempre mora em lugares seguros. Que o caminho certo é o mais previsível. Que permanecer é quase sempre mais inteligente do que partir.
Mas a vida raramente floresce dentro de cercas.
Há quem passe tanto tempo aprendendo a obedecer…
Que, quando finalmente a porta da gaiola se abre,
já não sabe o que fazer com o céu.
Nem toda raiz pertence à terra.
Algumas apenas cresceram ao redor dos próprios pés.
Talvez seja por isso que tantas pessoas confundam conforto com paz.
Não percebem que existe uma diferença enorme entre descansar… e deixar de viver.
Os lobos também carregam outro significado.
Eles representam o perigo.
E isso torna a metáfora ainda mais bonita.
Porque viver de acordo com a própria essência nunca foi uma promessa de segurança.
Foi sempre um convite para caminhar por uma floresta onde ninguém pode garantir o que existe depois da próxima árvore.
Existe risco.
Existe perda.
Existe silêncio.
Existe a possibilidade de voltar machucado.
Mas existe também um risco infinitamente maior.
Passar a vida inteira perguntando como teria sido se você tivesse atravessado a floresta.
Carl Jung escreveu:
“Quem olha para fora sonha. Quem olha para dentro desperta.”
Talvez despertar seja exatamente isso.
Descobrir que a cerca nunca esteve ao seu redor.
Ela sempre esteve dentro de você.
No fim, talvez AURORA nunca tenha escrito uma música sobre lobos.
Talvez ela tenha escrito sobre o instante em que entendemos que liberdade e perigo caminham lado a lado.
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