“Daqui a um mês, quando você voltar, a lua vai estar cheia e no mesmo lugar.” (Biquini Cavadão)
Sempre que ouço esse trecho, sinto um pequeno desconforto.
Não porque ele seja triste.
Porque ele é verdadeiro.
Nós passamos a vida acreditando que somos o centro da história. Fazemos planos, brigamos, comemoramos, sofremos, amamos. Enquanto isso, a lua continua surgindo no céu como se dissesse:
“Eu estava aqui antes de você. E continuarei aqui depois.”
Esses dias minha mãe completou 60 anos.
Sessenta.
Uma palavra pequena para representar uma vida inteira.
Quando olho para ela, percebo que tenho basicamente metade dessa idade.
É curioso pensar que ela já viveu o equivalente a duas vidas minhas.
Duas infâncias.
Dois períodos de descobertas.
Dois conjuntos de erros, acertos, perdas e reencontros.
E, ainda assim, parece que foi ontem.
Talvez seja essa a maior ilusão que o tempo nos oferece.
Enquanto estamos vivendo, acreditamos que sempre haverá outra oportunidade.
Outro aniversário.
Outro almoço em família.
Outra conversa.
Outro abraço.
Até percebermos que o tempo não faz promessas.
Ele apenas passa.
Um dia nós iremos embora.
Todos nós. (Será? Tenho minhas dúvidas…)
E isso não é uma tragédia.
É apenas a regra mais antiga do universo.
Nós partimos.
O mundo permanece.
A lua continuará ocupando o mesmo lugar.
O vento continuará balançando as árvores.
As crianças continuarão correndo pelas ruas.
Outras pessoas ocuparão os bancos onde hoje nos sentamos.
E, sinceramente, existe algo muito bonito nisso.
Porque talvez o sentido da vida nunca tenha sido permanecer.
Talvez tenha sido deixar marcas suficientes para que nossa ausência nunca seja um vazio completo.
Nós já seremos um pouco diferentes.
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