Existe algo curioso sobre o Sol.
Todos os dias ele ilumina o mundo inteiro. Faz as plantas crescerem, aquece oceanos, colore o céu e desperta cidades inteiras.
Mesmo assim, todas as noites ele desaparece.
Eu sei.
Tecnicamente ele continua lá.
Mas, da perspectiva de quem está na Terra, existe um período inevitável em que tudo fica escuro.
E talvez a vida funcione exatamente assim.
Vivemos em uma época que idolatra quem está brilhando.
A pessoa que venceu.
A empresa que cresceu.
O artista que explodiu.
O atleta que conquistou.
Mas quase ninguém fala sobre os períodos de escuridão que vieram antes.
Os momentos em que ninguém acreditava.
Os dias em que tudo parecia parado.
As noites em que a única companhia era a própria dúvida.
É engraçado.
Quando alguém está brilhando, o mundo acredita que a luz surgiu do nada.
Como se nunca tivesse existido medo.
Como se nunca tivesse existido fracasso.
Como se nunca tivesse existido um quarto silencioso onde aquela pessoa pensou em desistir.
Mas a escuridão não é o oposto da luz.
Muitas vezes ela é a sua preparação.
A semente cresce no escuro.
O bebê se forma no escuro.
As estrelas só podem ser vistas no escuro.
E algumas das versões mais fortes de nós mesmos também nascem ali.
Existe uma ansiedade enorme em querer florescer imediatamente.
Queremos respostas rápidas.
Resultados rápidos.
Transformações rápidas.
Mas a natureza não tem pressa.
O amanhecer nunca discute com a madrugada.
Ele simplesmente chega quando chega.
Talvez você esteja atravessando uma fase escura agora.
Talvez nada esteja fazendo sentido.
Talvez você esteja questionando pessoas, caminhos, escolhas ou até mesmo quem você é.
Tudo bem.
Nem toda escuridão é um fim.
Algumas são apenas o anúncio silencioso de um novo amanhecer.
Porque o Sol que ilumina o mundo inteiro também desaparece todos os dias.
E ainda assim, todas as manhãs, ele volta.
Sem pedir licença.
Sem pedir aprovação.
Sem precisar provar que continua sendo o Sol.
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