Eriec Soulz

A realidade paralela por detrás dos meus olhos

E eu que estava vivendo, acredita?

Tem uma coisa curiosa sobre a vida:
a gente acha que está vivendo… até perceber que estava apenas passando pelos dias.

Cumprindo horários.
Respondendo mensagens.
Sorrindo quando precisava sorrir.
Se ocupando o suficiente pra não se ouvir.

E, por um tempo, isso engana.
Engana bem.

Porque parecer ocupado é muito parecido com estar vivendo.
Mas não é.

Viver exige presença.
E presença exige coragem.

Coragem de olhar pra dentro e perceber que, talvez, você esteja só existindo de forma organizada.

Eu demorei pra entender isso.

Achava que viver era sobre estar em movimento.
Mas movimento não é sinônimo de direção.

Tem gente correndo muito…
e indo exatamente para lugar nenhum.

E o pior: confortável nisso.

Porque parar pra se questionar dá trabalho.
Incomoda.
Desorganiza certezas que a gente construiu pra não ter que pensar demais.

Teve um dia (e esses dias são perigosos) em que tudo estava “certo demais”.

Trabalho andando.
Rotina encaixada.
Conversas acontecendo.

E mesmo assim… vazio.

Um silêncio interno que não combinava com a barulheira externa.

E foi ali que veio a pergunta que ninguém gosta de fazer:

“Eu tô vivendo mesmo… ou só estou funcionando bem?”

Funcionar é fácil de elogiar.
A sociedade ama quem funciona.

Quem entrega.
Quem responde.
Quem não dá problema.

Mas ninguém pergunta se você está sentindo.

Ninguém pergunta se aquilo faz sentido pra você.

Porque sentir não gera produtividade imediata.
E sentido… nem sempre dá resultado rápido.

Só que tem um preço.

O preço de viver no automático é alto e ele não vem em forma de dor gritante.

Ele vem em forma de ausência.

Ausência de entusiasmo.
Ausência de curiosidade.
Ausência de verdade.

Você não sofre tanto…
mas também não vibra.

E isso é perigoso.
Porque é confortável o suficiente pra você ficar.

Eu comecei a perceber que viver de verdade tem mais a ver com intensidade do que com quantidade.

Não é sobre quantas coisas você faz.
É sobre o quanto você está ali, de fato, quando faz.

É sobre perceber um detalhe.
Sentir uma conversa.
Questionar uma escolha.

É sobre não aceitar uma vida “ok” só porque ela não está ruim.

Tem uma frase que eu li uma vez que nunca mais saiu da minha cabeça:

“A maioria das pessoas não vive 80 anos. Vive 1 ano repetido 80 vezes.”

E isso me atravessou.

Porque repetir não é viver.
É prolongar.

Viver, de verdade, às vezes bagunça.

Te faz mudar rota.
Te faz rever relações.
Te faz admitir que aquilo que você construiu… talvez não seja mais pra você.

E isso assusta.

Mas também liberta.

Viver não é algo que acontece.
É algo que você decide.

Todos os dias.

Nas pequenas escolhas.
Nos pequenos incômodos que você resolve não ignorar.

Na coragem de não aceitar uma vida que não conversa com quem você é.

Então, se em algum momento você se pegar pensando:

“Nossa… e eu achando que estava vivendo…”

Calma.

Isso não é um fracasso.

É um despertar.

E, acredite,
é aí que a vida começa de verdade.

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