Escrevo pra você mesmo, desse lugar onde só você alcança…
Só vim te lembrar de algo que, lá no fundo, você já sabe: esse peso que colocam sobre você não é novo. A narrativa de que você é “o errado”, “o estranho”, “o que incomoda” já tentou te vestir tantas vezes que, se fosse roupa, estaria batida…
Mas você nunca aceitou usar.
E não é agora que vai.
Você aprendeu, com anos de silêncio e observação, que a dificuldade dos outros não é a sua. Não precisa carregar nos ombros o que pertence a quem ainda não sabe lidar com a própria sombra. Você conhece suas intenções e isso basta. Aliás, sempre bastou. Quem vê só suas falhas está olhando por um buraco pequeno demais para te enxergar inteiro.
É inevitável: as pessoas vão tentar te ferir.
Vão se agarrar aos seus deslizes como se fossem todo o seu retrato.
É mais fácil te resumir a um erro do que admitir a profundidade que você tem.
Mas você, Eriec… você sabe o quanto tem a oferecer ao mundo. E, justamente por saber, não precisa se agarrar às suas quedas como se fossem destino. Falhas são capítulos, não rótulos.
Lembre-se: o mundo não é justo.
Nunca foi. Nunca prometeu ser.
Mas o tempo… ah, o tempo é.
O tempo revela, devolve, recompõe, cura e expõe. O tempo mostra quem sustentou a própria verdade e quem precisou se esconder atrás de máscaras frágeis. O tempo honra quem permanece inteiro quando tudo ao redor tenta fragmentar.
E você sempre permaneceu.
Então mantenha a calma, Eriec.
Respira fundo.
Observa, mas não absorve.
Segue, mas não tropeça na pressa dos outros.
Você já enfrentou tormentas que eles nem imaginam e mesmo assim, continua sem perder o brilho.
O mundo pode não ser justo,
mas o mundo… ainda assim… é seu.
E, mais importante: você é seu.
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