Eriec Soulz

A realidade paralela por detrás dos meus olhos

O Perigo Silencioso do Conforto

Há um trecho no livro “Você não merece ser feliz — como conseguir mesmo assim”, de Augusto Cury, que me marcou profundamente. Ele diz que o comodismo é, em partes, uma bênção — afinal, ele nos dá a sensação de que está tudo bem. E, de fato, há momentos da vida em que estar acomodado é um sinal de paz, não de fraqueza. É o momento em que não precisamos provar nada, nem correr atrás de algo para preencher o vazio. É o instante em que finalmente conseguimos respirar e dizer: “Eu estou bem aqui.”

Mas existe uma linha muito tênue entre o conforto saudável e a estagnação perigosa.
O mesmo comodismo que acalma também pode adormecer. Ele nos ensina a aceitar o que temos, mas, às vezes, nos faz esquecer o que poderíamos ser.

Cury provoca o leitor ao afirmar que o comodismo é bom — e ele tem razão. Há sabedoria em desfrutar da calmaria, em não transformar a vida numa corrida infinita por conquistas. O problema é quando o repouso vira moradia permanente.
Quando a pessoa cheia de talento e brilho decide que “tá bom assim”, e começa a se contentar com o morno, com o previsível, com o fácil.

Pessoas de grande potencial precisam tomar cuidado com o comodismo, justamente porque ele é confortável demais. É sedutor. Ele se disfarça de estabilidade, de maturidade, de equilíbrio… mas, às vezes, é apenas medo de se reinventar.
É o medo de sair do ninho que você construiu com tanto esforço — mesmo sabendo, lá no fundo, que já é capaz de voar mais alto.

Não se trata de demonizar o comodismo. Ele tem seu lugar.
Mas, de tempos em tempos, é preciso cutucar a própria alma e perguntar:

“O que em mim está em paz e o que está apenas adormecido?”

Porque talvez você não esteja cansado da vida — esteja apenas preso a uma versão antiga de si mesmo, confortável demais para ser desafiada.

E a verdade é que quem nasceu para ser grande não combina com a zona de conforto.
Ela pode ser um abrigo, mas nunca será um lar.

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