Eu sou um ser agridoce porque a vida me forçou a provar do pior gosto antes de sentir qualquer doçura.
Fui obrigado a engolir humilhação, desprezo, rejeição, mentira, abandono — muitas vezes de quem eu mais acreditava.
Carrego marcas de uma infância que me fez desacreditar de mim, de quem eu era, do que eu poderia ser.
Já passei noites em claro me perguntando por que eu não era “suficiente” pra ser amado do jeito que eu precisava.
Já me culpei por não ser igual aos outros, por não caber em moldes, por não ter a coragem que hoje eu tenho de sobra.
Já deixei que as palavras dos outros definissem quem eu deveria ser.
E quer saber? Elas me destruíram por dentro.
Mas também me moldaram.
Foi na dor que eu entendi: eu sou agridoce porque precisei ser forte pra não virar pedra.
Tem gente que acha bonito ver a minha parte doce: meu sorriso, minha generosidade, minha empatia com quem sofre.
Poucos sabem que isso nasceu do azedo que precisei engolir calado.
Eu fui julgado, apontado, diminuído, chamado de tudo — menos de forte.
Mas hoje quem me vê em pé, firme, dono da minha história, não imagina o sabor de cada lágrima que eu engoli até aprender a engolir o orgulho pra pedir ajuda quando precisei.
Ser agridoce é aceitar que eu não sou só o que machuca.
Mas também não sou só o que encanta.
Eu sou resultado de cada não que ouvi, cada traição que me abriu os olhos, cada queda que me fez levantar sozinho.
Mas sou também o abraço que eu mesmo me dei quando ninguém ficou.
Sou o amigo que eu fui pra mim quando ninguém entendeu minhas crises, meus medos, meus silêncios.
Hoje, ser agridoce é meu lembrete:
Posso ser doce, mas não sou ingênuo.
Posso ser gentil, mas não sou bobo.
Posso amar, mas não abaixo mais a cabeça pra quem não sabe o valor de quem sou.
A vitória de ser agridoce é essa:
É saber que não preciso esconder minhas cicatrizes pra ser aceito.
É ter orgulho de quem me tornei justamente porque enfrentei tudo isso — e mesmo assim, escolho continuar acreditando nas pessoas certas, nos sonhos certos, no amor certo.
Eu sou um ser agridoce.
E se hoje a vida me pergunta: “Você faria tudo de novo?” — eu respondo que sim.
Porque foi a parte amarga que me ensinou a valorizar cada migalha de doçura que construí dentro de mim.
E se tem uma coisa que ninguém tira de mim é essa certeza:
A minha história não foi feita pra ser engolida fácil.
Mas quem prova entende que cada parte minha é real.
E ser real, no mundo de hoje, é a vitória mais doce que eu poderia ter.
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