Eriec Soulz

A realidade paralela por detrás dos meus olhos

A Coragem de Ser Coerente

Tenho vivido este ano com um propósito. Não um propósito vago, da boca pra fora, mas aquele que, quando a gente repete em voz alta, faz a espinha se alinhar. Aquele tipo de promessa que a gente faz de madrugada, com a cabeça encostada no travesseiro e o coração inquieto, jurando pra si mesmo: “Eu vou ser diferente. Vou ser mais eu. Vou fazer valer a pena.”

E diante de tantos acontecimentos — encontros, despedidas, surpresas boas e rasteiras inesperadas — eu olho, paro e reflito: isso me aproxima ou me afasta do que eu prometi para mim?

É nessa pergunta que mora a minha coragem. Porque não é fácil admitir quando a resposta machuca. Às vezes, a gente vai por caminhos que brilham bonito, mas são armadilhas disfarçadas de atalho. Às vezes, a gente se distrai tanto com o barulho do mundo que esquece de ouvir o som da própria consciência dizendo: “Ei, isso não é pra você.”

E eu tenho me perguntado isso todo santo dia: estou sendo coerente comigo mesmo? Coerente com o que eu dizia que queria, com o que eu sonhei, com o que eu prometi praquele “eu” que ainda acreditava em milagres feitos de esforço?

Viver com propósito é uma escolha que a gente renova sempre. Não se trata de nunca errar, mas de ter humildade para ajustar a rota quando percebe que está se traindo. Porque não tem nada mais triste do que perceber que a gente se tornou alguém que o nosso “eu” do passado jamais reconheceria.

Eu quero ser fiel à minha essência, mesmo quando o mundo insiste em me confundir. Quero ter coragem de recuar quando algo me arrasta para longe do que faz sentido. Quero ter maturidade de deixar ir o que me atrasa, o que me rouba, o que me diminui.

E quero lembrar, todos os dias, que viver com propósito não é sobre grandes feitos, mas sobre pequenas coerências. Sobre manter a palavra que dou para mim mesmo quando ninguém está olhando. Sobre seguir em frente mesmo quando é mais fácil sentar e desistir.

No fim, é isso: eu olho, paro, respiro fundo e pergunto — isso me aproxima ou me afasta de quem eu prometi ser? Se me afasta, não é pra mim. Se me aproxima, é por aí. E que eu nunca perca a força de responder com honestidade. Porque não existe conquista maior do que deitar a cabeça no travesseiro e saber: eu fui fiel a mim.

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