E ninguém notou. O mundo seguiu, mas para mim ele parou. Eu fui ficando pequeno… quase imperceptível, como quem se dissolve num canto onde nem a luz se dá ao trabalho de visitar. Me isolei — não por covardia, mas por não saber o que fazer com tanto silêncio que gritava dentro de mim. Me prendi — não porque alguém me trancou, mas porque minhas correntes eram invisíveis, forjadas por mim, elo por elo, palavra por palavra, não ditas, engolidas. Me perdi em mim — e foi o pior labirinto que já ousei atravessar.
Eu era um vazio, um buraco. Um nada que parecia tudo. Escuro. Frio. Um verdadeiro breu, tão denso que eu podia tocar. Um breu que me abraçava e me enrolava num tecido pesado, mas que, ironicamente, me oferecia um pouco de conforto. Foi ali, nesse tecido escuro, que eu aqueci meu coração pela primeira vez em muito tempo e aceitei a realidade como era — entendendo que, a partir dali, eu poderia renascer e contar uma história diferente.
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