Tem gente que diz que amar é coisa grande, intensa, avassaladora. Que é preciso gestos imensos, surpresas cinematográficas, declarações de impacto. Mas, pra mim, amar — de verdade — é outra coisa. É fazer questão. É estar presente nos detalhes.
É alguém que lembra qual lado da cama você prefere, que sabe que você tem mania de dormir com a TV ligada, mas sem som. Que repara quando seu “tá tudo bem” soa mais como “me abraça, por favor”. Que escuta aquilo que você não diz. Que percebe o silêncio.
É alguém que não esquece o seu sabor favorito de sorvete, mas também não esquece o que te magoou na semana passada. Que não minimiza o que te dói, que não some quando você mais precisa de alguém por perto. Que não espera você pedir. Vai lá e faz. Porque sente. Porque importa. Porque você importa.
A verdade é que, por trás da maioria dos corações quebrados, não estão as grandes tragédias amorosas, mas as pequenas negligências. O “tanto faz” quando você esperava um “vem aqui”. O “não reparei” quando você trocou o cabelo. O “desculpa, esqueci” quando era uma data que te marcava. É isso que vai acumulando. Vai afastando. Vai esfriando.
A gente quer ser notado. Quer ser escolhido — não por acaso, mas por intenção. Quer ser o motivo da mensagem no meio do dia, da visita inesperada, da lembrança sem data especial. Quer ser a prioridade na agenda de quem a gente ama, não o encaixe.
E não se trata de carência. Se trata de conexão. Porque quando alguém faz questão dos seus detalhes, está dizendo, sem palavras, que faz questão de você. E isso vale mais do que qualquer “eu te amo” dito da boca pra fora.
Hoje em dia, com tanta gente distraída, ocupada, superficial… amar com atenção virou resistência. É revolução. É coragem. E encontrar alguém que te veja inteiro — não só quando está forte e bonito, mas principalmente quando está cansado e precisando — é raro. E precioso.
Se um dia eu me apaixonar de novo, que seja por alguém que perceba meus silêncios, celebre minhas vitórias pequenas, e me conheça no detalhe. Porque, no fim das contas, é isso que segura a gente: o amor que não esquece da gente… nem nas coisas mais simples.
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