Talvez para quem passa os olhos apressados, essa frase pareça só um detalhe técnico. Um dado comum, daqueles que a gente ignora como quem não percebe quando uma flor nasceu no canto da sala.
Mas eu percebi.
O blog chegou à segunda página.
Isso significa que os textos não cabem mais na primeira.
Significa que algo se acumulou — não em número apenas, mas em presença, em entrega, em permanência.
E isso, para mim, é muito.
É o reflexo silencioso de que eu continuei.
Continuei escrevendo, mesmo nos dias em que as palavras custavam a sair.
Continuei sentindo, mesmo quando o mundo parecia insensível.
Continuei dizendo o que penso, o que sinto, o que observo — mesmo quando nem sempre há resposta, curtida, ou eco.
Chegar à segunda página do blog é como abrir um caderno e ver que a primeira folha já ficou para trás. Não por desimportância — mas por completude. A primeira página é onde tudo começa, é onde a gente ainda está se descobrindo. Mas é a segunda que prova que a semente virou hábito. Que a vontade virou constância.
Existe um tipo de vitória silenciosa que só quem constrói com verdade consegue sentir.
E eu estou sentindo.
Porque cada texto é mais do que conteúdo. É uma memória minha sendo registrada.
É uma fase, um corte, uma ideia que quis existir fora da minha cabeça.
É uma parte de mim que não quis mais se esconder.
E se hoje o blog alcançou sua segunda página,
é porque eu também alcancei uma nova camada de mim.
Mais comprometido com a minha voz.
Mais em paz com o que sinto.
Mais seguro de que vale a pena continuar, mesmo quando ninguém diz nada.
Porque é assim que a gente constrói o que é nosso:
não com pressa, mas com presença.
Não com euforia, mas com constância.
Texto por texto, ideia por ideia, camada por camada.
A segunda página é só o começo.
Mas que lindo é perceber… que o começo já ficou para trás.
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