Eriec Soulz

A realidade paralela por detrás dos meus olhos

Morrer em vida é fingir que ainda ama

Ontem foi Dia dos Namorados. Uma data criada para celebrar o amor, a conexão, o desejo de dividir a vida com alguém. Mas bastou um olhar atento para perceber quantas pessoas estavam ali… mas não estavam.

Vi casais que não se tocaram.
Casais que não postaram nada — e não por discrição, mas por indiferença.
Casais que não trocaram presentes, nem olhares, nem sequer palavras gentis.
Casais que talvez tenham dormido separados, mesmo dividindo o mesmo teto.
Casais que chegaram no Dia dos Namorados… e não tinham mais o que comemorar.

E eu me peguei pensando: como é que se chega nesse ponto? Como é que se chega numa data simbólica, com alguém ao lado, e ainda assim se sente sozinho por dentro?

Será que se acostumaram com a ausência?
Será que se conformaram com o silêncio?
Será que já nem lembram mais como é desejar a presença do outro com verdade?

E eu, que sou um rapaz intenso em sentimento e delicado na presença, não me permitiria isso. Porque pra mim, isso não é amor.
É resistência emocional.
É sobreviver onde já não há vida.

Viver ao lado de alguém que não nos toca mais a alma…
É como morar numa casa bonita e nunca acender as luzes.
É como escutar uma canção sem melodia.
É como morrer em vida.

Amar é mais do que status de relacionamento, do que jantares caros ou presentes em datas específicas.
Amar é presença real. É vontade de estar.
É dormir e acordar sentindo que está no lugar certo.
É olhar nos olhos do outro e saber que, se for pra enfrentar o mundo, que seja com ele.

E se não for assim, que não seja.

Porque a vida já é breve demais pra colecionar ausências de quem está presente.
Já é corrida demais pra gastar energia tentando salvar o que só se mantém por aparência.

Eu não quero um amor que só exista no calendário.
Quero um amor que exista no gesto, no toque, no olhar que diz: “é com você que eu quero ficar, todos os dias, mesmo nos piores.”

E se um dia o amor acabar — que acabe com honestidade.
Mas que nunca vire esse tipo de convivência fria, onde dois corpos compartilham a cama e nenhum coração compartilha mais a vida.

Isso, pra mim, é o verdadeiro fim.

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