Às vezes, quem mais deveria ser o seu refúgio é quem te expõe ao mundo. E quando isso acontece, a dor não vem só da rejeição, mas do esforço em vão de ainda tentar ser amor.
Por muito tempo, alguém muito importante pra mim usou minha existência como desculpa para as próprias dores. Como se tudo que deu errado na vida dela tivesse um só culpado: eu. Minhas escolhas viraram sua vergonha. Minhas verdades, seu fardo. E, mais cruel do que isso, minhas dores foram publicadas como capítulos trágicos de uma história onde ela sempre foi a vítima principal.
E sabe o que é mais estranho? Por muito tempo… eu mesmo acreditei.
Eu também dizia “tudo bem, ela sofre mesmo”. Eu me dobrava em empatia. Me fazia menor. Me anulava pra caber dentro do espaço que ela me deu: o da culpa. Me esforcei pra ser impecável, pra compensar cada lágrima que ela dizia ser por minha causa. Estudava, ajudava, sorria, acolhia… tudo para provar que eu era bom. Que eu não era o problema. Que ela poderia se orgulhar de mim.
Mas a aprovação nunca veio. O reconhecimento, nunca. O abraço que dissesse “obrigado por existir” nunca aconteceu.
E mesmo assim, eu escolhi o bem.
Paguei com amor o que me deram com dor. Rebati silêncio com cuidado. Respondi exposição com presença. E não porque era fácil — mas porque eu me recusei a repetir a história. Porque em mim nasceu algo que não nasceu nela: compaixão verdadeira.
Hoje, eu me vejo como um vagalume que por muito tempo foi mantido dentro de um pote — um ser brilhante, confinado, com a luz sufocada e o ar faltando. Mas mesmo ali, sem espaço e sem aplausos, eu continuei aceso. Eu resisti. E quando o vidro finalmente quebrou, não precisei correr: eu apenas voei.
Me orgulho de ter sido luz mesmo preso na escuridão dos outros. Me orgulho de ter feito o bem mesmo quando isso me custou pedaços. Me orgulho de mim. Da minha coragem silenciosa. Da minha grandeza que não dependeu de plateia.
Porque hoje, ninguém mais me contém.
E se existir algo mais poderoso do que ser quem você é, depois de tentarem te apagar tantas vezes, eu sinceramente não conheço.
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