Hoje foi um dia triste para você. Por acaso, vi sua publicação, e nela pude sentir a dimensão de uma perda grande e dolorosa que você está enfrentando. Isso me fez lembrar de quem você foi para mim e do impacto que deixou na minha vida. Confesso que, ao ver isso, um turbilhão de emoções tomou conta de mim. Parte de mim sentiu compaixão, mas outra parte… sorriu. E é sobre isso que eu preciso falar.
Você nunca saberá o tamanho da dor que me causou. Cada palavra cruel, cada risada às minhas custas, cada vez que me fez sentir pequeno, inferior, menos digno. Naquela época, você era uma figura imponente na minha mente, alguém que me fazia tremer só de ouvir o nome. Eu carreguei esse peso por muito tempo, como uma ferida que nunca cicatrizava completamente. E, no fundo, confesso que desejei que a vida te mostrasse o que eu senti — desejei que você sofresse como eu sofri.
Com o passar dos anos, acompanhei sua vida de longe, mesmo sem querer. E encontrei seus dias difíceis. Dias em que você tropeçou, perdeu, lutou contra adversidades que eu nunca imaginaria para alguém como você. Ouvi falar das suas derrotas, das situações que te colocaram no chão, e cada uma delas, para minha surpresa, me trouxe uma espécie de satisfação amarga. Era como se o universo estivesse me dizendo: “Olha, ele também sente dor.” Eu ri. E, por um tempo, isso me fez sentir “maior” que você.
Mas hoje, ao ver sua publicação, percebo algo que não havia admitido para mim mesmo: rir da sua dor não me tornou maior. Pelo contrário, me tornou menor. Me prendeu a você, aos dias em que me machucava, às palavras que ecoaram na minha mente por tanto tempo. É como se, ao carregar essa satisfação, eu ainda estivesse preso a um ciclo que não faz mais sentido existir.
Nós éramos crianças. Talvez você não soubesse o que fazia, ou talvez soubesse e simplesmente não se importasse. Eu não sei. O que sei é que o peso das suas ações ficou comigo por muito tempo, e hoje percebo que ainda estou tentando me livrar dele. Porque, no fundo, continuar me alimentando das suas derrotas significa que a minha dor ainda está viva, que eu ainda carrego um pedaço de você comigo — e eu não quero mais isso.
Perdão não é fácil, e ainda sinto reflexos do que vivi naquela época. Mas estou além disso agora. O que você fez ainda ressoa em mim, mas não determina quem eu sou. Hoje, sigo em frente, porque escolho não ser refém do passado.
Espero que você encontre forças para superar seus dias difíceis. E espero, sinceramente, que a vida tenha te ensinado algo sobre empatia, sobre o impacto das nossas palavras e ações nos outros. Talvez nunca tenhamos uma conversa, talvez você nunca saiba o que deixou em mim. Mas hoje, ao escrever isso, sinto como se um pedaço do peso que carreguei por tanto tempo finalmente estivesse saindo.
Que esse ciclo, ao menos para mim, possa se encerrar aqui.
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