Eriec Soulz

A realidade paralela por detrás dos meus olhos

Chorar Também é Cura Fisiológica

O choro veio como uma enxurrada, derrubando todas as barreiras. Não havia mais como conter. As lágrimas escorriam com a força. Meu corpo, encolhido e frágil, parecia estar à beira de um colapso, era tanta dor, tanta dor que precisava ser liberada.

O que muitos não sabem é que o choro vai além de um ato emocional. Ele é fisiológico. É uma resposta do corpo para aliviar o peso que a alma e a mente já não conseguem suportar sozinhas. As lágrimas emocionais, diferentes das reflexivas ou basais, são carregadas de hormônios do estresse, como o cortisol, e de outras toxinas que o corpo precisa eliminar. Quando choramos, não estamos apenas expressando sentimentos; estamos literalmente purificando nosso organismo.

Nos dias que antecederam aquele momento, meu corpo dava sinais de exaustão. As costas doíam, os ombros pesavam como se carregassem o mundo, o peito estava sufocado. A ciência explica que o acúmulo de estresse emocional pode se manifestar como dores físicas, problemas digestivos, insônia e até enfraquecimento do sistema imunológico. Eu estava sentindo tudo isso. Meu corpo gritava por ajuda, e o choro foi a forma de atender esse chamado.

Ao liberar aquelas lágrimas, senti algo mudar. O peso não desapareceu de uma vez, mas diminuiu. Era como se cada lágrima levasse um pouco da carga emocional e física que eu havia acumulado. Não foi apenas um alívio mental, mas uma reação química que começou a restaurar o equilíbrio no meu corpo.

Além disso, naquele momento de vulnerabilidade, uma presença inesperada surgiu. Alguém me acolheu — sem perguntas, sem julgamentos, apenas com um apoio e uma presença silenciosa. Foi aí que percebi outra dimensão do choro: ele não apenas cura, mas também conecta. Ele nos lembra que não estamos sozinhos e que, mesmo nas nossas fragilidades, podemos encontrar forças em pessoas e lugares inesperados.

O choro me curou em vários níveis. Foi um alívio emocional, mas também um processo fisiológico de restauração. Estudos mostram que chorar reduz a pressão arterial, ativa o sistema parassimpático — que ajuda o corpo a relaxar — e até melhora a percepção da dor. É um lembrete de que corpo e alma estão profundamente interligados. Quando tratamos um, ajudamos o outro a se curar também.

Chorar não resolveu todos os meus problemas. Mas foi o início. Foi o começo de um processo de cura, não só emocional, mas também física. Porque o corpo e a mente estão conectados. Quando soltamos nossas emoções, damos ao corpo a chance de se regenerar, de se reconstruir.

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