Todos ao meu redor sabem o quanto eu odeio o trânsito. É como se cada parada, cada engarrafamento, fosse um teste de paciência que nunca pedi para passar. E, no meio desse caos de motores, buzinas e pedestres andando lentamente, há algo que parece ainda mais insistente em testar meus limites: o semáforo amarelo.
Não importa a rua, o cruzamento, ou a hora do dia. Basta eu olhar para o sinal, e lá está ele, mudando para o amarelo. É quase cômico, juro, como se o universo estivesse brincando comigo, um jogo de perseguição. Às vezes, penso que o semáforo me observa antes de eu mesmo percebê-lo. Parece esperar o exato momento em que me aproximo para, com um piscar irônico, lançar aquela luz amarelada no meu caminho.
Será que é um sinal? “É óbvio, é um sinal.” O que ele quer me dizer?. Talvez seja um lembrete de que a vida é cheia de transições — aquele meio-termo incômodo entre o ir e o parar. Acelerar e arriscar, ou frear e esperar. E o pior de tudo? Não é só a frustração de ter que escolher entre acelerar e arriscar ou frear e esperar. Muitas vezes, o semáforo vira amarelo bem antes de eu chegar, me obrigando a assistir de longe enquanto ele muda para o vermelho. E, então, ao me aproximar, eu já sei o que me espera: a espera. O ciclo inteiro do vermelho, forçando-me a parar, a observar o tempo passar… Será que esse é o sinal? Não importa o quanto eu esteja apressado, o quanto eu queira chegar logo ao destino, há coisas que não estão sob meu controle.
Ou quem sabe, o amarelo seja um aviso de que estou sempre apressado demais, tentando chegar a algum lugar, sem prestar atenção ao caminho. Pode ser o jeito do mundo de me mandar desacelerar, de me dizer que não preciso estar com tanta pressa para alcançar algo que talvez eu nem saiba direito o que é. Será que estou sempre tão focado no destino, que ignoro a beleza das pausas, dos momentos entre um ponto e outro? Eu tenho praticado mindfulness, sério…
Talvez o amarelo seja uma metáfora para os momentos de dúvida que evitamos, as pausas que nos forçam a confrontar as nossas próprias ansiedades. Ou, quem sabe, seja um teste da minha paciência — aquele momento em que sou forçado a respirar fundo e esperar, mesmo que tudo dentro de mim grite para continuar. Talvez o universo saiba que é na espera que as respostas se revelam.
Ainda assim, mesmo refletindo sobre tudo isso, não deixa de ser irritante. Porque, no fim, o semáforo amarelo continua a me perseguir pelas ruas da cidade, como um lembrete constante de que não tenho controle sobre tudo. E, talvez, essa seja a mensagem mais importante. Nem sempre é sobre acelerar ou frear. Às vezes, é sobre aceitar que nem tudo está sob o nosso domínio e não adianta o quanto eu lute, não conseguirei mudar tudo.
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